Pandemia
Pico da Covid-19 está previsto para setembro
Mês de agosto acumula mais da metade das mortes registradas pela doença na região e cresce o alerta: o cenário tende a piorar
Jô Folha -
O agosto se encerra e deixa para trás os 31 dias mais tristes da pandemia. Mais da metade das mortes - 54,8% - confirmadas até agora, na região, ocorreu só neste mês. E o pior: em municípios como Pelotas a curva segue em aceleração e o pico da Covid-19 deve ocorrer em meados de setembro. O alerta é do Comitê de Enfrentamento da Pandemia, da Universidade Federal (UFPel).
Na segunda-feira (31), mais três pessoas tiveram a vida abreviada pela doença em Pelotas, que atingiu o total de 81 óbitos. As vítimas são idosos: uma paciente de 70 anos que permaneceu internada por 24 dias no Hospital-Escola (HE-UFPel), uma senhora de 88 anos que estava hospitalizada na Beneficência Portuguesa desde a última quarta-feira e um homem de 79 anos que também estava em leito de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) da Beneficência, desde 24 de agosto.
O Diário Popular voltou a conversar com a doutora em Epidemiologia, Anaclaudia Gastal Fassa, integrante do Comitê que tem se debruçado sobre o comportamento da pandemia em Pelotas. Ao analisar a curva epidêmica, a pesquisadora afirma: “A tendência é de que a situação ainda piore antes de melhorar. A curva é ascendente e a evolução é rápida”, destaca.
Anaclaudia aproveita para enfatizar: o distanciamento social é a melhor ferramenta para barrar a propagação do novo coronavírus. Os efeitos, entretanto, levam 15 dias para ser percebidos. Portanto, qualquer medida mais extrema que venha a ser adotada - nos moldes do lockdown - não terá consequências imediatas na contenção da doença. Por isso, é temeroso deixar para adotar ações quando o colapso do sistema de saúde for iminente.
E mais: se a projeção de que o pico em Pelotas se dará em meados de setembro for confirmada, um lockdown adotado nos próximos dias já não interferiria no número de leitos que serão necessários no momento do auge, mas traria outros dois efeitos importantes: ajudaria a reduzir o total de mortes e forçaria uma redução mas rápida da linha de contágio - explica a pesquisadora.
“Por isso, a questão do distanciamento social precisa estar vinculada à normatização municipal pra que se torne realmente efetiva”. enfatiza. “Pedir o isolamento voluntário é algo injusto, porque são poucas as pessoas que têm a possibilidade de fazer. A grande maioria não tem como avisar ao chefe que não irá trabalhar”. Dai a necessidade de a medida partir como determinação do Poder Público.
Testagem também é fundamental
Ampliar a testagem é a segunda ferramenta mais importante para conter o avanço da Covid-19 enumera Anaclaudia Fassa. Quanto mais o vírus se alastra, entretanto, mais difícil torna-se que o número de exames RT-PCR e de testes rápidos sejam suficientes para chegar a todos os contactantes dos infectados. Por isso a importância de o investimento em testagem caminhar em paralelo com outras ações de prevenção.
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